segunda-feira, fevereiro 21, 2005

terrível complexo de esquerda

Depois de uma noite manifestamente mal dormida pelo inconformismo a que me votei depois da terrível noite de ontem, escrevo hoje este post com uma aguda e incisiva tristeza que me abate os níveis de transmissores, fecha os canais GLUT, bradicardiza-me o ímpeto, desola-me a vontade.

Não consigo aceitar que o meu País se tenha assumido maioritariamente de esquerda - quase dois terços do parlamento. Não consigo aceitar que passados 30 anos sobre o 25 de Abril ainda se viva em Portugal esse terrível complexo de esquerda. Passaram já quase tantos anos como os que Salazar teve no poder e ainda andamos a ser guiados por gente que defendia o Conselho da Revolução, a estatização da propriedade privada, e outros tantos disparates de morte.

Ontem, de entre as palavras mais ou menos esperadas de todos os líderes partidários, houve umas que me emocionaram terrivelmente pela sua avassaladora verdade. Paulo Portas, assumindo a responsabilidade política e pessoal pelo incumprimento dos seus quatro objectivos eleitorais, deixa um aviso magoado ao País: "não existe nenhum País civilizado ontem trotsquistas e democratas cristãos estejam separados por apenas um ponto percentual". De toda a derrota de ontem, esta foi sem dúvida aquela que mais me agudizou a depressão - pensar que vivo num País cada vez mais atrasado cultural e civilizacionalmente.

Num dos tradicionais modelos socialistas europeus - a Dinamarca - foi recentemente reconduzido um governo de centro direita, com reiterado apoio popular. A Dinarmaca é actualmente a economia mais saudável do mundo, a sociedade mais justa do mundo - uma lição. E nós ainda andamos a brincar às "revoluções" e às esquerdas ditas modernas. Que triste complexo de esquerda que nunca mais morre.

6 Comments:

At 3:47 da tarde, Blogger sara said...

A Dinamarca reelegeu recentemente o seu primeiro ministro. É, sem dúvida, uma sociedade saudável. Qualidade de vida, pessoas felizes, sorrisos na cara. Acima de tudo, e porque se vive muito bem por aqui, nada de ondas. E uma Monarquia tem destas coisas: o Primeiro Ministro (de direita, como referiste) decide quando são as eleições. Estavam previstas para Novembro próximo, mas vai daí... o senhor percebeu que o povo, por estes dias, anda satisfeito. Vái daí, percebeu que, se as eleições fossem agora, ganhava com certeza. Vai daí, decidiu antecipar a situação. E não é que - surpresa!- se saíu muito bem?

 
At 11:43 da tarde, Blogger Nuno Costa Furtado said...

Não sei se percebi bem: a Dinarmarca não tem ciclos legislativos fixos?

 
At 3:36 da tarde, Blogger sara said...

Tem, claro que sim. Portugal também....

 
At 5:49 da tarde, Blogger Nuno Costa Furtado said...

Então não sei se percebi bem: houve antecipação das eleições com que propósito? E decididas pelo Primeiro Ministro?

 
At 12:59 da tarde, Blogger sara said...

Vou explicar tudo: A Dinamarca näo mudou recentemente de cor política: desde 2001 (pelo menos), o Primeiro Ministro é de centro-direita. Os ciclos legislativos säo, tal como em Portugal, de 4 anos. E, como acontece por aí, as eleicöes podem ser antecipadas. A diferenca é que, aqui, é o Primeiro Ministro que decide se seräo antecipadas ou näo, quando e porquê. O que é uma ideia fantástica, uma manipulacäo genial que nem se dá ao trabalho de ser subtil. Näo deixas de ter razäo (neste aspecto) no teu post: tudo (ou quase) funciona muito bem aqui. Mas nada tem a ver com esquerda ou direita, até porque o que aqui chamam de direita näo está longe do socialismo Portuguuês. Como eles dizem, "there is no right wing in Denmark..." Esclarecido?

 
At 9:50 da manhã, Blogger Nuno Costa Furtado said...

Perfeitamente. Arranjas-me alojamento? Estou cansado desta gente repetida e repetitiva que nos rege os destinos. Preciso apanhar ar fresco - literalmente.

Fico muito contente por ti. Tomaste a decisão mais difícil - interromper a umbilicação pátrida. Sei que vingarás por terras Vinkings. Só espero que voltes, à laia dos estrangeirados, e ajudes a incrementar a qualidade deste nosso cantinho pobrezito.

 

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