quarta-feira, setembro 14, 2005

vale-nos a independência

Poderá à primeira impressão parecer perigoso ver-se nomeado para dirigir os destinos do Tribunal de Contas (cuja atribuição principal é precisamente a fiscalização das contas do Governo em exercício) um compincha solicalista dos quatro costados, reiteradamente ex-ministro e até esta data deputado na Assembleia da República na bancada do Partido Socialista.

Poderia parecer perigoso não pela possibilidade de conluio na sonegação de eventual matéria de contas públicas, porque a seriedade de todos afasta liminarmente esse raciocínio, mas pela dificuldade orgânica de um amigo fiscalizar a actividade de outro amigo.

Mas esqueçam todos os princípios éticos e, no limite, o bom senso. Porque, enfim, vale-nos a [promessa de] independência.

7 Comments:

At 4:43 da tarde, Blogger Diogo aka o Torgal said...

Dentro da política que temos, de promessas estou eu farto. O cepticismo a que cheguei impede-me de acreditar nelas. Abraço. Diogo

 
At 2:18 da tarde, Anonymous mónica said...

sim sim de boas intenções tá o inferno cheio! ou como diz o diogo a uma hora destas já tanto faz :-(

 
At 3:06 da tarde, Blogger TR said...

na verdade penso que todos nós ao saber destas coisas... encolhemos os ombros, porque realmente parece que não há mais nada a fazer e nem sequer vale a pena tentar. A sensação de impotência e a naturalidade com que são tomadas atitudes claramente incorrectas, algumas mesmo ofensivas, é gradual e surge como imparável.

Mas, eu, sinceramente, vou ser banal mas não consigo dizer isto de outra forma agora: penso que algum dia teremos de acordar, penso mesmo que temos de acordar agora, porque não podemos encolher eternamente os ombros perante este laxismo que foi escolhido por nós. Não é verdade?

Apetece usar frases de um tempo ao qual eu já sou posterior, mas que conheço tão bem: "Eles comem tudo e não deixam nada!" Apetece...

Pareço moralista e demagógica, eu sei, mas acho mesmo que não podemos encolher os ombros... até porque, se em tempos o argumento era a falta de liberdade, qual é o nosso argumento hoje?

 
At 11:24 da manhã, Blogger PP said...

Fogo Nuno,

até parece que andas a trabalhar e não tens tempo de actualizar o Blog!

Nem uma referência ao "Ordinário" do Carrilho!

 
At 12:57 da tarde, Blogger TR said...

será que lhe aconteceu alguma coisa?

 
At 1:25 da tarde, Blogger MS said...

Não aconteceu nada...é a vida de Farmacêuticos que não nos deixa ter tempo para muito mais do que trabalhar!!

 
At 10:45 da tarde, Blogger Nuno Costa Furtado said...

Não.

Apenas a disposição sequencial de uns parcos dias de férias com a necessidade de escoamento do trabalho que assim se viu avassaladoramente acumulado. E ainda a carolice de uma formação em horário de ponta até ao tempo do fim regular dos pastos.

Assume-se assim o prejuízo de não ter cumprido a deliciosa oportunidade de cunhar a cor das avestruzes modernas com marcos da história política e quasi-política nacional.

Este é um país vivo. Que quinze dias de abstinência colectora fazem parecer uma eternidade. São tantos os factos que me sinto nervosamente perdido. Carrilhadas todos os dias. A nossa tia Fatinha lá Felgueiras. As manifs e ameaças de manifs de quase todas as classes profissionais.

Agradeço o cuidado de todos. Estou de volta para o gáudio da discussão em que se cumpre o fundamento da nossa cor das avestruzes modernas. Aguardo também o V. regresso.

 

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