sexta-feira, maio 26, 2006

mais que uma questão de propriedade

Hoje, cumprindo um caminho que o Eng. Sócrates foi mostrando ser inevitável, o governo anunciou que cessará o termo da lei que atribui aos farmacêuticos a exclusividade da propriedade das farmácias.

Sendo eu farmacêutico, seria talvez esperado que me insurgisse contra a medida ou que, no limite, não concordasse com a mesma. Não é assim. E o argumento é simples e claro. A prática farmacêutica, na acessão inscrita legalmente, inclui não a gestão de um estabelecimento de dispensa ao público como actividade primordial, mas antes a prestação de serviços e dispensa de medicamentos à população, assegurando a sua utilização racional - com qualidade e segurança. Esta última deve ser indiscutivelmente - e reconhecida como tal - a trave mestra da actividade farmacêutica em Farmácia Comunitária.

Embora em relação a esta questão não tenha qualquer dúvida que a esmagadora maioria dos farmacêuticos assume o serviço ao utente como o próposito basilar da sua actividade, é sabido que a miúde a profissão farmacêutica foi acusada de colocar os interesses particulares, quando proprietários, à frente dos interesses dos utentes das suas farmácias. Esta acusação - sendo maioritariamente infundada - foi contaminando a relação entre utentes e farmacêuticos, com claro prejuízo para os primeiros.

Por isso esta medida, que isenta os farmacêuticos da exclusividade sobre a propriedade da farmácia, libertar-nos-á de um fardo que, em termos globais, tem prejudicado a imagem dos farmacêuticos junto da população e, por esse motivo, o sucesso e eficácia da mensagem a passar aos doentes - para a mais correcta utilização dos medicamentos.

2 Comments:

At 1:24 da manhã, Blogger PP said...

era bom que esse tivesse sido o objectivo desta proposta do PM.

 
At 11:55 da tarde, Blogger Nuno Costa Furtado said...

Bem sei. Mas no fim, o propósito pouco interessa. Antes uma medida involuntariamente favorável que uma medida tentada mas não conseguida.

 

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